sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

A beleza está nos sítios mais inesperados


Não desfazendo, és mesmo doida, ó sweetjene, poderão vocês dizer, e com razão. Acontece que mesmo nos locais mais hediondos a beleza manifesta-se, de formas inesperadas e improváveis. Quem mo mostrou foi Shaka, d'A Vaidade , a quem agradeço. Ora vejam.




Então, tinha ou não tinha razão? É só preciso saber vê-la.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Johnny V keeps trying...

(Clique na imagem para a ampliar)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

A Receita

Matutei e matutei sobre a frase "Outsourcing de nos tornarmos melhores pessoas é coisa que não existe". Quem a disse em tom jocoso e cheio de provocação, foi o meu amigo Juanito. O meu amigo tem razão e eu fiz uma descoberta. Descobri que a diferença entre viver obcecada pela culpa, esperando a qualquer momento ter que expiá-la de forma inoportuna, inusitada e dolorosa, e ter consciência que devo, quero e posso pagar a minha dívida ao mundo pela sorte que sempre tive e tenho, sendo proactiva, é a diferença entre a depressão e a saúde.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Tudo ficava em ruínas.....

A noite e a madrugada tinham sido muito cansativas porque ela entrou naquelas conversas graves com que já vinha a ameaçar "tu és assim...tu fazes assim...". Quando um entra nisso é muito difícil ao outro ficar de fora, porque ficar de fora é reconhecer logo que nada é já recuperável. Metido nesse diálogo suicida, tive bem consciência do que ele tinha de infantil: há pouco mais de um ano que, em Paris, ficamos encantados com aquele amor que, do cimo do acaso, nos tinha caído nas mãos mas, como as crianças, estávamos a desmanchá-lo para ver como funciona por dentro. Irresponsáveis, estávamos a estragar o presente que o destino nos dera e que, ao longo daqueles meses, tinha sido a nossa força, o nosso recreio e o nosso calor. A certa altura dei-me conta de que, de repente, tudo ficava em ruínas, impossível de reconstruir.

António Alçada Baptista, O riso de Deus

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Não tenho memória nenhuma!

Como é possível que me acusem de o ter morto se eu me tinha esquecido de que a pistola estava carregada? Toda a gente sabe que não tenho memória nenhuma. E ainda dizem que a culpa é minha? É o cúmulo, palavra de honra!

Max Aub, Crimes Exemplares

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Frase do dia

O estado proíbe ao indivíduo a prática de actos infractores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los.

Sigmund Freud

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

As manhãs de Juanito

Tratava dos canários
Dava de comer à mula
Ficava imóvel meia-hora

Todas as manhãs
Tratava dos canários
Dava de comer à mula
E ficava imóvel meia-hora

Nunca era premeditada essa paragem de meia-hora
Acontecia
Todas as manhãs

Talvez fosse a pausa depois de dar de comer à mula
O momento que se escoava, lento

Parecia haver um tempo natural
Desde que tratava dos canários
Até que dava de comer à mula

Não era nunca um problema
Passar dos canários
Para a mula

Acontecia
Todas as manhãs

Era a pausa
Depois de dar de comer à mula
Que o aturdia

Uma pausa enorme

Sabia muito bem o que ia fazer a seguir
Sabia até muito bem

Sabia que a seguir ia ele comer
Depois de dar de comer à mula

Mas não conseguia mexer-se

Ficava imóvel meia-hora
Fixando o deserto

Por vezes fixando a adega

Outras vezes fixando a bomba do poço

Variava a direcção para onde calhava olhar
No momento em que a imobilidade o tolhia

Chegou ao ponto de ansiar por esse momento
Em que ficava imóvel meia-hora

Era o ponto alto da sua manhã

Tratava dos canários
Dava de comer à mula
Ficar imóvel meia-hora


by Sam Shepard - Motel Chronicles / Crónicas Americanas

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

A pressão social para a procriação

Todas as minhas amigas mais próximas estão actualmente muito grávidas do seu segundo filho ou já o tiveram. Muitas das minhas colegas também. A grande maioria delas (ou de quem as rodeia) não se cansam de me interpelar: “Então, e quando é que é a tua vez?” ou “Não dás um irmãozinho à tua filha”?

Na verdade, não digo que o relógio biológico não tenha já acusado, mais que uma vez, que vai sendo tempo de repetir a dose. Mas logo substituo as românticas e ternurentas imagens (e recordações) de um bebé bem cheiroso, pelas marcas óbvias de noites sem dormir, rugas, cabelos brancos e costas completa e assustadoramente rebentadas, e perco de imediato a vontade. Estou muito feliz com uma filha. E, verdade seja dita, educar filhos custa caro.


Outro dia comentava com uma colega minha - uma jovial e atraente mulher de 50 anos, com 3 filhos já criados - que não estava nada certa de querer ter mais filhos. Para a provocar disse-lhe que em vez disso preferia ir juntando dinheiro para fazer uma plástica, quando chegasse à idade dela. Apoiou-me, com entusiasmo referindo que ter filhos para responder à pressão social constituía um mau projecto. Identifiquei-me com aquilo. Fiz o mesmo comentário a uma das minhas amigas mais próximas, da minha idade, que acabou de descobrir que está grávida do seu segundo filho. Ficou chocada e, amigavelmente, só faltou chamar-me fútil. Disse-me que eu, afinal, me parecia com a sweetjane...

A verdade é esta, não afasto a hipótese de ter mais filhos, se isso constituir um projecto de vida para mim e para o meu companheiro. Também é muito provável que, mesmo não tendo mais filhos, nunca faça qualquer plástica. Ter mais um filho para “dar um irmão à minha filha” é que, realmente, jamais constituirá motivação para mim.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Rehash - Eleição da Frase do mês de Juanito

Introduzindo uma inovação no nosso quotidiano, apresento a concurso as frases de Juanito candidatas ao título de melhor tirada do mês de Janeiro.

1. 1960 ele debuetiert ao Scala nos homens de Rah as semanas fixas a 300.

2. Após o concert de Salzburger conduz ao Scala à premier da morte atômica da ópera de Giacomo Manzonis.

3. Conduz a 1968 em Salzburg Gioacchino Rossini Il de cervejas di Siviglia do dinheiro.

4. 1975 conduz à premier do d'amore do carico da salmoura do gran do alumínio da ópera de Luigi Nonos.

5. ...no mesmo ano recebe-o o seriousness do preço da música de Siemens em Berlim.

6. Conversar con un hombre del siglo como José Lucena es un privilegio, me permite comprobar que todos los alienados tenemos los mismos problemas.

7. Estou neste negócio há 25 anos e nunca vi um modelo tão pouco harmonioso (...) a certa altura concluí que não se tratava de um veículo, e avisei a gerência...

8. José Lucena me hay dito que la verdad es una perspectiva inventada, dictada por la confluencia de experiencias personales.

9. Y se dedica a mandarme mensajes a traves de Isa George como si ella fuera mi representante. ¡Por favor!...

10. Um ponto, um ponto !!

Frase do dia

Gandhi disse "sê a mudança que queres ver no Mundo."

Sweetjane replicou que já compra a revista CAIS

Also sprach Juanito

"Outsourcing de nos tornarmos melhores pessoas é uma figura que não existe."

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Livro do Dia


Obrigado pela sugestão de leitura, Juanito - é sempre bom saber quais os livros de cabeceira dos nossos camaradas.

Se sim Sim se não Não

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Resposta a SweetJane

N


ão desfazendo, és mesmo doida, Sweetjane.

Então não querem lá ver que ela para sublimar os sentimentos de culpa, o melhor que arranja é comprar a CAIS ao droguinhas entaramelado mais próximo, com olhos de carneiro mal morto? Please...

Ó Jane, eu também não sei qual é a receita para endireitar o mundo, mas tenho quase a certeza de que não passa pela revista CAIS. É cá um feeling.

Esse desconforto que dizes sentir em relação à situação menos favorecida de outros, se é sincero, será apenas sinal de que tens uma consciência. Perguntarás "e depois? Fico sentada em cima dessa consciência?"... Claro que não. Gandhi disse "sê a mudança que queres ver no Mundo." Ora, o mais bem-intencionado de nós sentirá sérias dificuldades em implementar esse comportamento, aparentemente tão simples (só aparentemente). Isto porque somos humanos, e extremamente vulneráveis à tentação perversa de repercutir para com os outros os comportamentos que neles mais criticamos, pela simples razão de que "foram eles quem começou". E deste modo a mediocridade, a má-criação, a antipatia e outros "pequenos holocaustos" (obrigado, P. Oliveira) florescem mesmo através de quem não os tem inscritos na sua maneira de ser. Lutar contra isso deveria ser o primeiro passo. Quando e se operares essa mudança em ti, a tua relação com os outros modificar-se-á inevitavelmente, e só aí poderás começar a ajudar a mudar o mundo para melhor. Não há volta a dar-lhe. O processo tem de começar em ti e continuar em "ti <-> outros". Os tais sentimentos de culpa, Sweetjane, só perduram enquanto nós sabemos, interiormente, de forma mais ou menos consciente, que NÃO estamos a fazer aquele trabalho. Então lá vamos comprar a revista CAIS, porque parece que há uns senhores cujo objecto social é fazer aquele trabalho interior de que Gandhi nos incumbiu por nós.

Ora, outsourcing de nos tornarmos melhores pessoas é uma figura que não existe.

Se não melhoramos como pessoas (e melhorarmos não é fazermos constar que estamos a par das desgraças que por aí existem, por mais autêntica que seja essa consciência), então o mundo não vai melhorar. Faz impressão, e até desanima atacar um problema que é tão grande numa perspectiva tão pequenina (a do ser individual). Mas aí é que ele se pode realmente ser atacado: se reparares, na esfera da tua pessoa e dos teus comportamentos tens controlo absoluto do que acontece; isso não se passa em nenhum outro cenário.

Mais uma vez trazes à liça a questão da felicidade, no contexto destas matérias. Desinterlacemos de uma vez por todas o problema da felicidade do da nossa consciência acerca das desgraças do Mundo. De contrário, ninguém que não seja perverso vai conseguir algum dia ser feliz. Porque desgraças no Mundo vão existir sempre. E sobre a felicidade já temos uns quantos posts interessantes.

Agora apetecia-me comer bolachas. Mas isso agora não vem ao caso.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Mixed Feelings

O

lá blog! Saudades do dono, tinha? Tinha? A tia Sweetjane é má para ele? Tadiiiiinho...

Estou de volta ao blog. De volta aos posts, melhor dizendo. Porque estive em cima deste blog ao longo dos últimos 10 dias como areia no deserto. Tudo para mudar a cara deste blog. Resultado? Mixed feelings. Sweetjane e os leitores dirão se valeu a pena o esforço. Eu cá... ainda não sei bem. Está estreitinho, não está? E cada testamento de Sweetjane mede agora uns bons 3 metros... Hum...

(Aviso a Sweetjane: não uses mais o texto destacado estilo revista; não percebi ainda porquê, mas este novo template não simpatiza com a programação do destaque do texto. Não voltes a utilizar até eu dizer, OK?)

Tenho muitos posts para ler, muita coisa em atraso. Mas estava cansado de blogs com a mesma cara deste, mas sem a sabedoria deste. Fui entrevistar grandes figuras da Sabedoria para as poder citar na nova face deste blog, como Nietzsche e Claudia Schiffer. Mas tudo isto à custa de pouco tempo dedicado à leitura e à escrita no blog... Sim, porque eu não tenho quatro manitas.

Em consequência deste (só aparente) afastamento, comecei a receber 30 mails por dia de Sweetjane, que ameaçava matar-se se eu não voltasse rapidamente ao blog. No meu telemóvel, brotaram também curtas mensagens de terror de uma nossa leitora - uma tal de Alexandra - acusando este blog de tudo o que o Código Penal prevê. Também reparei que o meu nome é usado a torto e a direito na shoutbox "Wisdom Overdose", sem que eu tenha alguma coisa a ver com isso... Ser famoso tem os seus custos.

Só agora fui rever a distribuição geográfica de leitores deste blog. My God, mas quem é esta gente? Leitores da China, da Colômbia, dos E.U.A., Brasil, Canadá... Não há dúvidas: a Sabedoria tem muita procura. Ainda bem.

(Se algum dos nossos leitores perceber de HTML, dê-me um toque. Para ver se me explica porque é que não consigo "arrumar" as componentes da barra lateral ou do footer dos posts através do interface do New Blogger. Seria muito simpático.)

É bom estar de volta.