sábado, 20 de janeiro de 2007

As leis fundamentais da estupidez humana - parte III

Segundo Cippolla o estúpido desconhece que o é, não sendo, consequentemente influenciado ou inibido pela percepção da própria estupidez. Tal aumenta exponencialmente o seu poder nocivo e devastador. Por outro lado, nem sempre é possível aos não estúpidos, avaliar correctamente a capacidade dos estúpidos para fazer estragos.

É nesta linha que a 4ª lei fundamental surge:

As pessoas não estúpidas substimam sempre o poder nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se infalivelmente um erro que se paga muito caro (sic).

Giancarlo Livraghi (1996) diz, todavia, que tal pressuposto sugere que as pessoas não estúpidas são, afinal, um pouco estúpidas. Mas, pergunto eu, não serão, antes, um pouco crédulas? Porque no fundo estão a dar aos estúpidos a oportunidade de entrarem em acção (obtendo, assim um ganho), em seu próprio prejuízo (apesar de só mais tarde disso se darem conta). Aliás, é o próprio Cippolla que diz que os crédulos não reconhecem os estúpidos.A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.

Para terminar, vejamos a 5ª lei fundamental:

A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe (sic).

O corolário desta lei é:

O estúpido é mais perigoso que o bandido (sic).


Porque será? Segundo Cippolla porque o ganho do bandido perfeito é exactamente igual ao prejuízo causado, tendendo para um equilibrio. Se todos fossemos bandidos perfeitos, toda a nossa existência se limitaria a”maciças transferências de riqueza e de bem-estar a favor dos que praticassem as acções”, o que, a acontecer por turnos regulares acabaria por provocar sempre benefícios indivíduais e também mais alargados. Já quando os estúpidos se dedicam a pôr em prática as suas irreflectidas acções, os prejuízos, que afectam todos, têm um impacto exponencial na sociedade, que caminhará a passos largos para o empobrecimento maciço. São mais perigosos que os bandidos, também graças a facto das suas acções serem absoluta e completamente imprevisíveis.

E depois de tudo isto, mais uma vez me pergunto se serei estúpida. É inevitável. É a pergunta que se impõe. Não sabendo exactamente responder, posso prever que não o devo ser, pelo menos completamente, porque, se o fosse não teria consciência disso. E bolas, às vezes creio que o sou, por isso, não devo na verdade sê-lo.

Mas sou um pouco perversa ou, dito de outra forma, bandida. Porque de ora em diante irei situar-me no eixo das ordenadas (Y) (que representa as vantagens que alguém retira das acções empreendidas por outros) para poder estar em situação de averiguar o efeito das acções dos outros sobre mim (relembro que o eixo das abcissas representa as vantagens de alguém, relativamente às acções que empreende). Desta forma posso perceber em que quadrante se situa predominantemente, quem me rodeia. Eh, Eh, Eh.


10 comentários:

Anónimo disse...

Mas se alguns de nós se comportam como crédulos em relação aos estúpidos, significa que esles tiram vantagem. Ora, por definição, os estúpidos nunca tiram vantagem. Afinal em que é que ficamos?

sweetjane disse...

Amigo/a "Anonymous",

Os estupidos podem retirar benefícios de acções empreendidas por outros. Não retiram é qualquer benefício das suas próprias acções, para além de causarem prejuízo aos demais. É isso que os caracteriza. Inscrever-se numa categoria (quadrante do gráfico cartesiano)depende do efeito das acções do próprio quer sobre si mesmo, quer sobre os demais. Espero ter ajudado a esclarecer. Volte sempre.

Paulo de Oliveira disse...

fiquei estupidifado por este blog, mas o maior problema é que se adicionou aos meus favoritos e não sei como apagá-lo...

Shaka disse...

“Num sistema democrático, as eleições gerais são um instrumento de grande eficácia para assegurar a estabilidade de estúpidos entre os poderosos”. Cipolla

Cordiais cumprimentos d' Avaidade.

Juanito disse...

Caro Paulo,

Esse é um dos problemas deste blog: as pessoas lêem e adoram, mas depois decidem que afinal não, e querem apagar dos favoritos e querem esquecer que algum dia leram este blog. Só que não conseguem. E isso deve-se a umás linhas de javascript que eu incorporei neste blog, e que vão directamente ao cerebelo das pessoas. Só cirurgicamente poderás vir a esquecer este blog. Sorry, mas é assim a vida.

sweetjane disse...

Amigo/a shaka (zulu/khan) desculpa o mau jeito, mas Cippolla dixit e quem sou eu para comentar. Obrigada pela visita. Volta sempre.

Juanito disse...

Maaau, afinal não percebi nada. Então agora o eixo dos YY representa "as vantagens que alguém retira das acções empreendidas por outros"? Então não representava os efeitos das minhas acções sobre os outros - positivos ou negativos?! Julgava que sim. Ora, se tu, Sweetjane, agora "te vais colocar sobre o eixo dos YY", isso julgava eu que significava que as tuas acções de ora em diante não te trariam nem benefício algum, nem prejuízo algum (i.e. X=0), e que portanto de agora em diante tudo o que fizesses apenas se traduziria em beneficiar ou prejudicar terceiros, sem consequência para ti própria. Ora, como é que esta postura te permite "estar em situação de averiguar o efeito das acções dos outros" sobre ti? Não percebo nada... Não desfazendo, esse Cipolla parece-me um bandido. Ou então sou eu que sou estúpido.

Prof. Dr. Suspenso Freitas disse...

Caro Dr. Juanito, a Drª sweetjane não deixa de ter razão. O Dr. Juanito só conseguirá perceber em que quadrante se situa quem o rodeia, se se colocar na posição de quem é prejudicado ou beneficiado. Dito de outra forma, de facto o eixo dos YY significa o que disse V. Exa.. Porém se V. Exa. se colocar lá, junto "dos Outros" ficará em posição de perceber o efeito das acções de uma dada pessoa X sobre V. Exa.. A única coisa que precisará de saber, depois, é se essa pessoa beneficiou ou não das suas próprias acções. Se não tiver maneira de saber isso, quem empreende a acção que teve um efeito (variável) sobre V. Exa. será, do ponto de vista de V. Exa., ou créduto-inteligente ou estúpido-bandido.

Juanito disse...

Prof. Doutor Suspenso Freitas, V. Exa. é um louco de controle.

("control freak", em algumas línguas).

Juanito disse...

...interno quando está dentro de casa;

...externo quando está fora.