sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

2007: Uma Perspectiva – Juanito entrevista TONICCO

J

uanito – Boa tarde António.
Tonicco – Boas tardes.
J – Obrigado por me concederes estes 15 minutos. Sei que tens outras coisas em que pensar.
Tonicco – Deixa lá isso, não me importo nada. Por acaso agora não estava a fazer nada de mais.
J – Vou directo aos assuntos, então. 2006 está acabado, e..
Tonicco – Kaputt.
J - ..criámos o blog e acabou-se o QCA III.
Tonicco – É.
J – Como vês isto? Foi o final de um ano, ou o final de um período, de uma era?
Tonicco – Foi o final de um ano e também de uma era. Ainda bem que acabou, não tenho pena. Não me interessa nada.
J – Esta história do blog acabou por ser estranha para ti?
Tonicco – (pensativo) Estranha não. É só uma página na Internet, no fim de contas.
J – Sentes que as pessoas esperavam de ti outro tipo de participação?
Tonicco – Textos, queres tu dizer?
J – Outro tipo de contributos, coisas diferentes de “no início era o … A”, e posts desse género.
Tonicco – Tens de entender que os tempos são outros. Já não estamos no tempo da Julieta Silva, da Gabriela, dos e-mails anónimos ou enviados do PC do colega, sem ele saber. Tudo isso teve a sua época. Os bonecos antigos já não funcionam, eles morreram.
J – É ilegítimo dramatizar cenários com Rui Marrocos, ou com David Figueiras, em 2007?
Tonicco – Ilegítimo não, repara, mas o efeito, concordarás, está hoje em dia seriamente limitado. Não entendas isto mal, eu leio os teus trabalhos e vejo que ainda vais buscar Rui Marrocos, ou que ainda exploras o filão dramático da tensão do poder entre Sandra Almeida e Maria Fouto… Ainda gosto de ler, mas para os meus próprios textos, tu verificas que já não uso esses bonecos.
J – Pois não, usas o palhacete da MacDonald’s…
Tonicco – Porque é intemporal, repara.
J – O blog nasceu a meio de Novembro e registou 27 posts nesse mês. Em Dezembro – para o mês todo – ficou-se pelos 21. Como interpretas esta evolução?
Tonicco – O começo do declínio?...
J – Vais tentar, pela tua parte, contrabalançar essa tendência?
Tonicco – De modo nenhum. Não há grande paciência para ser contra a corrente. Se a tendência é para o declínio – não sei se é ou se não é… - temos mais a aprender aceitando a situação, e fluindo com ela.
J – Fluindo com a situação?
Tonicco – Correcto.
J – Como vês toda esta merda? Qual é a tua visão?
Tonicco – Vais ser mais específico?
J – Como vês tudo isto desde 1997 para cá… as pessoas com quem trabalhaste e com quem trabalhas hoje… esta história de gerir os dinheiros… estes Gabinetes… todas estas personagens…
Tonicco – Tenho sentimentos contrastantes em relação às personagens. Graficamente, os efeitos de partículas estão fantásticos, os efeitos de iluminação e outros elementos também são excelentes, mas para ser sincero algumas das figuras ainda podiam ser um pouco melhores. Eu reparei que, especialmente com alguns dos personagens masculinos, a parte superior dos corpos, e até algumas áreas da face pareciam um pouco artificiais, por vezes.
J – Achas Rui Marrocos uma figura de acção pouco realista?
Tonicco – Admito que os vasos sanguíneos e a textura da carne sob a pele fazem um efeito mais realista. Já o cabelo, por exemplo, é um pouco falso, é estranho, está ali qualquer coisa mal feita.
J – E quanto a Susanna Vale, a figura de acção que está mais esgotada nas lojas?
Tonicco – As roupas estão bem, são cómicas, mas repara que nunca dá a sensação de se molharem, ou de qualquer outra maneira reagirem ao ambiente. Isso ao fim de um tempo também soa a falso, embora possas não reparar logo ao início.

(...)Não faz sentido estares duas horas numa reunião com Susanna Vale sem teres a possibilidade de a atirares através de uma janela. E não me venham dizer que isso não se pôde fazer até agora por limitações gráficas"


J – O que gostavas de ver no futuro?
Tonicco – No meu próximo emprego gostava de ver arenas maiores, para começar. E mais interactividade: não faz sentido estares duas horas numa reunião com Susanna Vale sem teres a possibilidade de a atirares através de uma janela. E não me venham dizer que isso não se pôde fazer até agora por limitações gráficas; hoje em dia há placas gráficas que fazem autênticos milagres.
J – Sentes portanto que até agora tem faltado qualquer coisa…
Tonicco – Julgo que é óbvio... Aceito perfeitamente ter de ir visitar um projecto qualquer no meio de nenhures, mas devo ter uma combinação de teclas qualquer que me permita deitar a Maria do Carmo Nunes da pontezinha da aldeia abaixo… são só exemplos, percebes?, não quer dizer que tenham de ser exactamente estas novidades e não outras… são só ideias.
J – No fundo, queres mais interactividade, é isso.
Tonicco – Mais interactividade com o meio e com os personagens. Eu sei que são artificiais, mas isso não deve impedir que possa ser gratificante interagir com eles.
J – No passado eu próprio me queixei dos movimentos de Rui Marrocos.
Tonicco – E compreende-se! Faltam-lhe movimentos especiais. Não tem nem um. A certa altura circulou um rumor de que se carregasses em “X” e em “triângulo”, o Rui Marrocos bolsava. Tentei um milhão de vezes, até perceber que era mentira. O que se passava era que carregando em “X” e em “triângulo” o Rui Marrocos dizia um disparate qualquer, e quem bolsava era quem estava à frente dele. E repara que muitas vezes nem precisavas de fazer a combinação de teclas, já que ele dizia um disparate mesmo sem tu fazeres nada.
J – Sê sincero: vale a pena continuar a investir nestes personagens, ou há que largá-los de uma vez e partir para soluções novas?
Tonicco – Há coisas a aprender, e que não se perderam: os efeitos de luz no rabo da Ana Matos, se ela estava com roupas pretas, eram do melhor que se faz, em qualquer plataforma. Quase conseguias ver a calha fluorescente do tecto reflectida nas curvas das nádegas. Efeitos como estes, apelativos para quem vê, podem e devem ser aproveitados para o futuro. Vão para além de questões técnicas; são belos porque roçam a arte. E tu próprio tens vontade de te roçar neles. Super Mario Bros. nunca te deu esta vontade! (risos)…
J – Quando entrámos, em 1997, falava-se de uma personagem oculta, que era possível desbloquear. Como encaras esse dado: lenda urbana?
Tonicco – De modo nenhum. No meu entender, a personagem a desbloquear és tu próprio, quando chegas ao fim (ou antes disso - melhor ainda) e te apercebes da porcaria em que estás. Aí tornas-te outra personagem, e, no fundo, desbloqueias. Não é lenda, é real, no fim de contas.
J – Então vês isso como um bónus, que pode fazer com que no final valha a pena?
Tonicco – Pode ser, ou pode não ser. Se desbloqueias a personagem oculta, mas não ganhas o movimento especial – que é o que te permite sair – então só agrava a situação para o teu lado. Talvez seja preferível, nesse caso, não desbloqueares.
J – Sabes de casos concretos?
Tonicco – Com certeza, sei os casos clássicos. Maria Fouto desbloqueou a personagem oculta, mas não ganhou o movimento especial – pelo contrário, até parece que houve combinações de teclas que deixaram de funcionar; por outro lado, Rui Marrocos, todos sabem, jamais desbloqueou a personagem oculta.
J – Na tua opinião, fazia ou não sentido ganhar roupas novas sempre que se desbloqueasse a personagem oculta?
Tonicco – Fui várias vezes questionado acerca disso. Sou da opinião contrária, pelo menos para alguns casos: personagens como Mafalda Santos ou como Ana Matos, à medida que se desenvolviam deveriam perder roupas, e não ganhar roupas novas. Mas lá está, noutros casos… seria uma bênção se Rui Marrocos desbloqueasse roupas novas!, mas compreendo que a programação tenha de ser igual para todos os personagens.
J – Que esperanças tens de que estes melhoramentos que preconizas sejam adoptados no futuro?
Tonicco – Gosto de dar a minha opinião. Se a seguirem, ficarei contente. Senão… continuo a jogar na mesma.
J – Obrigado, António. Sabes que este será o primeiro post de 2007 no blog?
Tonicco – Força, que seja um bom começo.

©3FIDS-2007

3 comentários:

Alex / 29 / UK disse...

Hi all i just like to say post very beautiful and blog very nice. Good work please keep it up

Anónimo disse...

É a minha primeira vez neste blog, vocês são mesmo giros!!!! Gostava de vos conhecer pessoalmente, onde andam? Beijinhos desta vossa fã!!!!

Juanito disse...

Cara fã anónima,
A questão é que nós próprios também gostaríamos de nos conhecer pessoalmente, entendes? Ainda não nos encontrámos, ainda falta aquele não-sei-quê, percebes? Olhamo-nos no espelho de manhã, ainda com os vincos da almofada marcados na cara, e vemos, sabemos, que somos nós quem está ali, mas no fundo não convence, ao mesmo tempo. Mas fica descansada: logo que eu me conheça realmente, eu dou-te logo um toque.