quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

A ANATOMIA DE FOUTO - Episódio 2



E
difício IGUAL – Junto aos elevadores - Dia – Rui Antunes vai roendo uma alheira de Mirandela à frente do elevador, quando Maria João e Sandra Almeida emergem de uma porta adjacente. Antunes questiona com ansiedade Maria João acerca da primeira vez desta a segurar um coração. Maria João ignora-o. António Sousa junta-se ao grupo e refere que “só vê-la a fazer aquilo já foi uma tripe”. Maria João parece alheada. A campainha do elevador toca e Maria João e António Sousa entram. Rui Antunes nota a estranha disposição de Maria João, mas continua a roer a chouriça. Um contínuo alerta Antunes para o facto de a sua pausa estar quase no fim, e este pergunta as horas a Maria João, que lhe diz ter perdido o relógio de pulso há tempos. Antunes despede-se, de boca cheia, com um “então até mais loguinho”. As portas do elevador fecham-se.

IGUAL - Elevador - Dia – António Sousa pergunta a Maria João se o relógio que ela perdeu era aquele VibraMaster 9000 de pulso, com alarme vibratório, que Sousa já lhe tinha cobiçado. Maria João confirma, desinteressada, e muda rapidamente de assunto, confessando a António Sousa que pensa poder ter feito alguma coisa ao coração de Roberta Santos enquanto o segurava. Maria João conta que de repente “bateu um soninho” e que lhe parece que pode ter apertado o coração. António Sousa refere que o coração é um músculo forte, e que aguenta um apertão ou outro. Entredentes, Sousa deixa escapar que até o dele já levou apertões valentes. Maria João confessa que furou o latex da luva de cirurgia e questiona Sousa sobre a possibilidade de ter “furado aquela cena do coração”. António Sousa sentencia que “se a sua amante pôs o coração a funcionar, então tudo está OK”. Maria João acha que deve contar o incidente a Ana Duvall, mas Sousa insiste que não há nada a contar, dado que Roberta Santos “parece estar fina”. Maria João acaba por concordar.

Créditos iniciais / Sequência de abertura
Tema original: “IGUAL Ao Litro” (performed by WE 3 KINGS)

Anatomia de Fouto

Plano aéreo da Avenida da República - Dia

IGUAL – Sala de análise de radiografias – Nuno Lima pede opinião a Rui Antunes. Estão a olhar para os raios-x do ciclista com o fémur fracturado. Embaraçado, Rui Antunes confessa estar proibido por António Sousa de emitir pareceres médicos. Intrigado, Nuno Lima pergunta-lhe porquê. Antunes relata, indignado, que teve uma discussão violenta com Sousa, durante a qual este deixou bem claro que considerava estar a emissão de pareceres médicos fora do âmbito funcional da lavagem dos pisos. Ao pretender dar uma pancadinha solidária nas costas de Rui Antunes, Nuno Lima mede mal a força, e deita Antunes ao chão, esfregonas, chouriça e tudo. Antunes fractura a perna direita, e jaz, no chão, gemendo de dores, em voz alta. Sandra Almeida entra de rompante na sala, convencida, pelos gemidos, de que Lima estaria a aproveitar-se de Antunes em hora de expediente. Quando se apercebe do que realmente aconteceu, manda vir dois contínuos e encaminha Rui Antunes para a Sala de Traumas. Sandra Almeida repara, então, nas radiografias que Lima e Antunes analisavam havia poucos instantes. Intrigada, questiona Lima sobre o porquê de este estar a analisar radiografias abdominais de um doente que tem o fémur partido. Lima esclarece que apenas está a fazer o que Ana Duvall mandou: “analisar as radiografias”. Olhando para o nome do doente impresso nos raios-x, “Adérito Lagos”, Sandra Almeida julga reconhecê-lo, mas não consegue recordar-se de quem se poderá tratar. Chama então António Sousa pelo pager.

IGUAL – Refeitório (vulgo sala do microondas) – António Sousa tenta colar uma colher de sopa embaciada à ponta do nariz, para gáudio de Leonor Ribeiro (toxicómana em recuperação, internada na IGUAL) que assiste, fascinada. O pager de António Sousa começa a tocar. Sousa resmunga impropérios, levanta-se e sai.

IGUAL – Sala de análise de radiografias – Sousa entra na sala, e pergunta com solenidade a Sandra Almeida qual é a emergência. Sandra Almeida questiona-o acerca da colher de sopa que traz pegada ao nariz. Atrapalhado, Sousa mete rapidamente a colher ao bolso, e esclarece que a questão da colher “é outra situação”. Sandra Almeida pergunta a Sousa se este reconhece o nome de Adérito Lagos. Sousa responde afirmativamente, informando que se tratou do seu primeiro paciente quando assumiu as funções de residente-chefe de Proctologia. Sousa recorda então com nostalgia a intervenção de 5 horas na qual procedeu à remoção da última secção do intestino delgado e à criação de um ânus artificial em Adérito Lagos. Sandra Almeida pergunta a Sousa quem foi o médico assistente à cirurgia, e Sousa confessa que fez quase tudo sozinho por falta de staff, mas que na parte final teve de pedir ajuda a Maria João, que o assistiu nos procedimentos de suturação. Sandra Almeida informa que Adérito Lagos deu entrada na IGUAL com o fémur partido, e conclui que as radiografias na parede devem ser as do pós-operatório da cirurgia de António Sousa, estando o mistério explicado. Não obstante, Sousa examina as radiografias e identifica uma massa estranha no antigo ânus de Adérito Lagos. Sousa informa que pretende operar novamente o paciente, pedindo que Sandra Almeida guarde segredo da cirurgia não programada perante Ana Duvall. Sandra Almeida aceita, em troca de dois comentários elogiosos que Sousa deveria proferir acerca dela quando Ana Duvall estivesse presente. Sousa, uma velha raposa, negoceia e consegue reduzir para um comentário elogioso. Nuno Lima, concluindo que a sua cirurgia ao fémur iria ser adiada, sai mais cedo.

IGUAL – Proctologia – Sala de operações - Dia – Meio grogue da anestesia, Adérito Lagos olha para cima e observa António Sousa preparando-se para o operar. Confuso, Lagos questiona António Sousa acerca das razões de estar novamente em Proctologia, prestes a ser operado, quando o que tem é um fémur partido. Sousa informa que a última operação “pode ter causado problemas, entendes, ó Lagos?”, e é isso que ele vai avaliar agora. Imediatamente antes de ficar inconsciente com a anestesia, Adérito Lagos ainda insulta Sousa por “não lhe deixar o rabo em paz”. Sousa profere, impassível, um soturno “Dorme, sacanita…” e dá início à intervenção cirúrgica.

IGUAL – Sala de doentes sob cuidados - Dia – Num quarto aberto com várias camas, Maria João está de pé e observa à distância Roberta Santos, deitada, conversando com o seu marido, que está sentado à sua cabeceira. O enfermeiro Garcia verifica os sinais vitais de Roberta. O marido, preocupado, procura tranquilizar-se junto do enfermeiro Garcia e pergunta-lhe se está tudo bem. Garcia responde que “os risquinhos brancos da máquina estão quase sempre no verde, e quando é assim a Doutora Ana Duvall disse que não há preocupações”. Mas estranhamente a opinião técnica de Garcia não é suficiente para que o marido de Roberta Santos se tranquilize. Maria João aproxima-se deles e apercebe-se da ansiedade do marido da paciente cujo coração ela tinha segurado nas mãos. Tentando confortar o casal, Maria João diz que cirurgia cardíaca é sempre delicada, mas que Roberta Santos deverá ficar bem.

IGUAL – Proctologia – Sala de operações - Dia – António Sousa examina o ânus original de Adérito Lagos, que suturara na primeira operação. No monitor da microcâmera, Sousa parece reconhecer um objecto, e esfrega os olhos, incrédulo. Manda chamar Sandra Almeida e pergunta-lhe se ela vê o mesmo que ele. Sandra confirma. Sousa faz então uma incisão de 10 centímetros e extrai do interior de Adérito Lagos aquilo que se assemelha a uma correia de pele, ensanguentada. Sandra Almeida pergunta-lhe se se trata de uma pulseira. Sousa informa que é um relógio. Após um silêncio incómodo, Sousa pormenoriza, declarando tratar-se de um “VibraMaster 9000 de pulso, com alarme vibratório… o Rolls-Royce da tecnologia vibratória de pulso”, refere, fascinado, e por momentos esquecido da circunstância que trouxe aquele objecto até às suas mãos. Sandra Almeida exige saber de onde o relógio pode ter vindo. António Sousa especula sobre a possibilidade de o relógio ser um "efeito secundário da sua cirurgia anterior", mas avisa enigmaticamente Sandra Almeida de que Maria João, que o havia assistido na suturação, “terá certamente esclarecimentos adicionais a prestar”.

IGUAL – Vestiário dos médicos residentes - Dia – Maria João está debruçada sobre o lavatório e passa a cara por água tentando acalmar-se. Deixa a água escorrer-lhe das faces, endireita-se e fita a sua imagem no espelho. Suspirando, deixa escapar um “Aaai, foda-se…” semi-abafado. Subitamente, Sandra Almeida irrompe pela porta.



Fim do 2º episódio.


2 comentários:

artemisa disse...

A tua imaginação é invejável. A tua especial apetência para o detalhe é notável. E o enredo? Quem esperaria encontrar o relógio no ânus suturado? Será que o Igual tem uma enfermaria para maníacos perigosos, onde os lunáticos deste mundo convivem com LR?

Jorginho dos Santos disse...

oi artemisa como estás tudo bem espero que sim. o que eu gosto mais neste blog é os teus comentários porque são sempre uma análise boa das coisas do blog que se escreveram não é os outros comentários, é mesmo os posts normais. digo mais não é que seja da minha conta mas cá para mim bem podias ser tu a escrever no blog, não é cá doideiras como diz a sutejane ou então o suspenso freitas. parabéns continua o bom trabalho estás a ouvir